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Professor Vicente Willians
 


Pessoal,

 

         Estou colocando um texto que fiz para a revista da APPAI/RJ (http://www.appai.org.br/media/projetosimagens/revistaeducar/edicoes/80/#/2/) sobre o tema Tecnologia na Educação. Não deixem de deixar comentários sobre o que acharam do artigo.

 

TECNOLOGIAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO: SUBVERSÃO OU SUBMISSÃO

 Vicente Willians do Nascimento Nunes[1]

 

A controvérsia sobre a importância da presença das Tecnologias Digitais (computadores, Internet, scanners, Datashow etc.) na escola já está, de certa forma, ultrapassada. Não cabe mais esse tipo de discussão, hoje, podemos afirmar, com certa margem de segurança, que a maioria das pessoas envolvidas com a educação tem consciência do quanto é necessário que alunos tenham contato com Tecnologias Digitais (TD) durante sua formação acadêmica.  

Nesse contexto é importante entender por que, embora ofereça diversos recursos que possibilitam o surgimento de práticas pedagógicas inovadoras voltadas para a aprendizagem participativa e contextualizada o uso destas tecnologias, em sua grande maioria, continua servindo para perpetuar práticas educacionais pautadas na ação do professor e na reprodução do conhecimento?

O encanto e fascínio que as TD exercem sobre os jovens e sua grande penetração nos diversos segmentos da sociedade nos obriga a (re) pensar de que forma serão integradas ao cotidiano escolar. O uso da palavra “integrada” ao invés de “incorporada” é proposital, nosso entendimento é o de que “integração” tem relação com a parceria que se estabelece entre os educadores e as TD na promoção de propostas pedagógicas condizentes com a sociedade atual, enquanto que “incorporação” nos remete a ideia de submissão, ou seja, quando é simplesmente incorporada a escola as TD servem apenas para perpetuar as metodologias que ali já existiam e que são, na sua grande maioria, pautadas em uma educação baseada na centralidade do professor. De que forma usaremos essas tecnologias? Para perpetuar as práticas pedagógicas do século passado? Ou para possibilitar aos nossos jovens uma educação que os prepare, de forma efetiva, para viver na sociedade atual e, mais ainda, que os tornem aptos a se adaptarem as mudanças que estão por vir.

Nossos alunos vivem em um mundo digital, a facilidade que apresentam para utilizar os aparatos tecnológicos é um aspecto marcante nessa geração, para Prensky  (2001), eles são os chamados nativos digitais essa classificação serve para caracterizar os jovens que utilizam as TIC e de forma mais específica as TD de maneira muito naturalizada em seu cotidiano. Os nativos digitais falam e agem em consonância com o mundo digital no qual vivem, a realização simultâneas de atividades como, digitar um texto, ouvir músicas, conversar on-line, postar (textos, músicas e vídeos) nas redes sociais ou em blogs não apresenta nenhum grau de dificuldade, pelo contrário, é algo muito comum no seu dia a dia, em contrapartida os imigrantes digitais, que são aqueles que não nasceram, mas obrigatoriamente, têm que se adaptar ao mundo digital sentem muita dificuldade em entender como é viver nessa sociedade. Embora já estejamos na sociedade da Informação uma parcela da sociedade, seja por falta de acesso ou de forma deliberada, continua a viver como se ainda estivéssemos, na sociedade Industrial. 

A sociedade da Informação está baseada nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) usadas na produção (individual e coletiva), aquisição, armazenamento e distribuição de uma vasta quantidade de informações.

É característica marcante dessa sociedade a convergência de diversas tecnologias. O celular é um exemplo clássico dessa convergência, pois, embora tenha surgido como um aparato tecnológico de comunicação móvel atualmente é usado como máquina fotográfica, filmadora, TV, GPS, computador, rádio etc., essa convergência amplia ainda mais a produção e o compartilhamento das informações que é a principal característica da Sociedade na qual estamos vivendo.

            Dentre as tecnologias que caracterizam a sociedade atual, a Internet merece um destaque especial por ser a principal responsável pela constituição de uma rede que possibilita uma integração sem precedentes na história da humanidade. Essa rede descentralizada e não hierarquizada produz, modifica, amplia e compartilha informações e conhecimentos que vão influenciar diretamente o nosso modo de viver. Aspectos culturais, profissionais e educacionais são diretamente afetados a partir das relações e eventos que emanam dessa rede composta por diversas outras sub-redes.

A escola tem a função de preparar para a vida em sociedade e embora não seja o único local onde ocorra a educação, é a instituição de referência para a realização dos processos de ensino e de aprendizagem, no entanto autores como Freire (2002) questionam a escola e classifica o seu formato de educação como “bancária” na qual o papel do professor é soberano, sendo ele o único a ter ação no ato da aprendizagem, cabendo aos alunos uma postura passiva na qual os conhecimentos são, supostamente, “depositados” em suas cabeças. 

O questionamento desse formato de educação é recorrente, pois vem sendo criticado desde o século passado. No entanto, na sociedade atual, essa proposta de ensino, baseada na centralidade do professor, se torna incabível quando levamos em consideração as características advindas da sociedade da Informação e dos nativos digitais que estão nas escolas. A possibilidade de colaboração, interatividade, compartilhamento e construção (individual e coletiva) de informações e conhecimentos que nos são ofertadas pelas TIC requerem uma nova proposta pedagógica, não, mas baseada na ação exclusiva do professor, mas na qual o aluno tenha participação ativa na construção dos seus conhecimentos.

 A educação baseada na transmissão de conteúdos se torna ainda mais sem proposito, quando sabemos que a sociedade da Informação é caracterizada, fundamentalmente, pela produção e disponibilização de informações e conhecimentos em larga escala, algo que nos leva a duas constatações: a primeira é sobre a necessidade de continuarmos estudando durante toda a vida, já que as informações e conhecimentos são atualizados de forma cada vez mais rápida e de forma constantemente, a outra constatação está relacionada à impossibilidade de definição de quais são os conhecimentos necessários para a uma formação plena, essa definição nunca foi uma tarefa fácil, no entanto, atualmente ela se torna ainda mais complexa, dada a quantidade e velocidade com a qual as informações e conhecimentos são produzidos. A educação não pode estar focada somente nos conteúdos, muito embora reconheça a importância da sistematização de alguns saberes, entendo que a educação do nosso século deve promover o desenvolvimento da autonomia do processo de aprendizagem, possibilitando que nossos educandos se tornem aptos a continuar construindo outros saberes ao longo de suas vidas.

A escola atual deve ter como principal característica a preparação integral de seus alunos, aqui entendida como uma formação que englobe aspectos relacionados não só aos conteúdos mais que contemple a formação de pessoas comprometidas com o bem da coletividade.

Discutir a escola na Sociedade da Informação passa também, por uma discussão do papel dessa instituição como um todo. Independente de que tipo de educação esteja em debate, é importante ressaltar que a escola sempre foi um espaço privilegiado para a construção do saber de forma colaborativa e contextualizada, as TD, quando usadas de forma crítica, somente ampliam essa possibilidade.

      As TIC, quando usadas de forma planejada podem favorecem a interatividade, colaboração e o aprendizado contextualizado, além dessas características esses recursos tecnológicos também são importantes para o desenvolvimento do exercício da autoria, aspecto importante em uma proposta de educação na qual o discente deixe de ser mero espectador e passe a ter ação efetiva no processo educacional.

A minha experiência docente em diversas escolas e Universidades nas quais trabalhei com alunos de todos os seguimentos desde a educação infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA) passando pela graduação e pós-graduação, tem mostrado que, atualmente, o uso das TIC é algo bem naturalizado para esses alunos apenas o pessoal do EJA apresenta maior dificuldade no uso das Tecnologias Digitais muito por conta da geração a qual pertence. Também percebo que os recursos digitais estão cada vez mais presentes nas escolas, o barateamento dos aparatos digitais é a principal causa do aumento da presença das TD nas escolas particulares e nas escolas públicas temos cada vez mais investimentos nessa área. Sendo assim, temos de um lado os aparatos tecnológicos cada vez mais disponíveis nas escolas (públicas e particulares) e de outro os alunos totalmente adaptados ao uso desses aparatos fica faltando então que professores se apropriem dessas tecnologias digitais em sua prática pedagógica para que possam proporcionar uma educação contextualizada e em consonância com as necessidades do século XXI.

 

 

FREIRE, P. Pedagogía do oprimido. 32. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

 

PRENSKY, M. Nativos Digitais Imigrantes Digitais. USA: De On the Horizon (NCB University Press, Vol. 9 No. 5, 2001. Versão traduzida disponível em                              <http://www.colegiongeracao.com.br/novageracao/2_intencoes/nativos.pdf> Acessado em 13/04/2012.

 



[1] Mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá UNESA/RJ na linha de pesquisa Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nos processos de ensino e aprendizagem. Coordenador do Núcleo de Tecnologia Educacional (NUTE) do Colégio Cruzeiro de Jacarepaguá. Professor dos cursos de especialização e graduação nas universidades UNESA, SENAC e Candido Mendes, ministrando aulas nas disciplinas da área de Administração, Informática e Educação nas modalidades presencial e on-line. Também elabora e ministra cursos na área de Tecnologia Educacional para professores de escolas públicas do Rio de Janeiro e do Mato Grosso.  Palestrante da APPAI.

 



Escrito por nick às 15h11
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